Aventuras:

March 12th, 2008

rappel-apiuna.jpg

Não que eu seja uma pessoa muito corajosa. O medo é meu amigo inseparável, num casamento que me proporciona um volume significativo de adrenalina no sangue toda vez que me coloco numa situação de risco. Quando falo situação de risco, estou falando de qualquer situação, seja no ambiente de trabalho como num ambiente de natureza. 

O que é importante, no caso, é que esse medo me serve como um “supervisor”. Um elemento que me põe em cuidado e me garante a atenção necessária para obter o sucesso que desejo. 

Num desafio de trabalho, por exemplo, onde a avaliação do contexto, a atenção aos pontos que podem fugir do controle e eventualmente darem errado, fazem com que eu preveja ou me prepare para variadas situações e reaja com mais firmeza a qualquer mudança inesperada. Não são super poderes e não acontece em 100% dos casos. Mas é um mecanismo que funciona, onde um medo, que muitas vezes serve de freio para a maioria das pessoas, se torna aliado e promotor da vitória. 

Um dos exercícios que gosto de fazer à parte do próprio dia a dia é participar de atividades de contato com a natureza. Não falo de saltos em queda livre, pêndulos ou coisas desse tipo, porque a sensação em si não me atrai de fato. Mas falo de superação, encontro de força física, atenção, raciocínio, inteligência, coragem, serenidade, flexibilidade. Uma das atividades onde isso mais se faz presente para mim é o Rappel. Fiz alguns, mas esse último foi maravilhoso. Uma trilha dentro de um cânion, através do leito de um rio de águas turvas, cheio de pedras soltas e trechos escorregadios. Andar por onde não se vê, onde existe um limite imposto pela capacidade de se locomover sem conhecer o caminho e sem se machucar, tropeçar ou prender o pé. Além disso, alguns momentos de rappel realmente, onde a corda e o que há para traz das suas costas às vezes assusta. Nesse que fizemos, fomos a Apiúna (SC) e chama-se Trilha dos Índios. Foi um rappel de 7 metros; outro de 15 metros; outro de uns 5 metros (esses três pela água) e outro no barranco com uns 8 metros aproximadamente. Mas não acaba por aí, pois o último, de quase 50 metros é o que mais desafia. Se não pelo fato de que tudo o que se vê antes de descer é a água correndo que simplesmente acaba, de encontro com um imenso vale de árvores cuja altura não é possível distinguir (uma vez que não há referências de tamanho); talvez pela feição de pavor que as pessoas que já desceram fazem ao se depararem com o que as espera. 

Bom…foram momentos de sangue fervendo. O frio da água, depois de quase um dia inteiro molhada, e na sombra, simplesmente foi embora e sobrou um grande vermelho no rosto. O meu tremor não era mais de frio. Quando olhei aquela paisagem, uns pequenos capacetes (pontos coloridos) das pessoas que já tinham descido e umas “cordinhas”. Cordinhas essas que seriam o meu veículo para chegar ao fim da trilha. Mas o grande detalhe é simplesmente não poder voltar. Nessa atividade só há espaço para ida. Voltar significa subir todas as cachoeiras que descemos; os barrancos, o leito do rio, as várias horas de caminhada e parada. Impossível. 

Então lá vou eu, com o medo correndo no corpo, os cálculos repetitivos de onde colocar o pé e a leveza de se deixar descer na maioria do trecho em negativo; e um prazer indescritível, quase uma sensação de super poder e ao mesmo tempo, diante daquela grandiosidade, um respeito muito grande pelo que a natureza fez com tanta habilidade. Ali eu percebi: Deus existe.

Um país (nem tão) perdido no leste europeu.

February 15th, 2008

lizari-low.jpg

Letônia:

Um país que jamais pensei em conhecer, porém, com características surpreendentes que me fazem perceber o quanto precisamos ampliar nossos horizontes.
Moeda forte, povo elegante. Um senso de ordem em tudo o que se vê. Ex república da União Soviética, tornou-se independente em 1991. A capital, Riga, preserva edificações Medievais e Prédios art nouveau, patrimônios da humanidade. A economia em sua maioria é baseada em serviços e o país, especialmente a cidade de Riga, tem sido palco de eventos na área de inteligência empresarial reconhecidos em todo o mundo.

Visitei por ocasião de um curso na área de liderança, ministrado por empresários brasileiros e italianos. Excelente oportunidade de crescimento pessoal, principalmente por ser sediado num país tão diverso do Brasil. No inverno, por exemplo, os moradores convivem com temperaturas entre -25 e -15°C. Inacreditável para quem vem de um clima subtropical sobreviver nessas condições.

A constatação que se chega é que é um povo que conseguiu (e consegue), se sobressair em tudo o que faz, já que o que faz pode colocar em risco sua sobrevivência. Sistemas de calefação, vedação, vestimentas, alimentação, tudo adequado às condições e que transitam num equilíbrio perfeito entre os climas que se estabelecem ao longo do ano.

Não dá para desassociar essas observações a uma competência intrínseca que emana e envolve. Um lugar perfeito para polir as arestas do “jeitinho brasileiro”. Além disso, a Europa de maneira geral, nos ensina a arte de lidar com o dinheiro. Os países que visitei como Alemanha, Itália, Suíça, França e Holanda me mostraram, assim como pude confirmar em Riga, que nós temos pouca habilidade em transformar criatividade em dinheiro, prosperidade. Mais uma lição para levar na mala…

Turismo feito com as próprias mãos.

February 15th, 2008

bonito.jpg

Bonito, Mato Grosso do Sul. Há 265 Km da capital do estado, com uns 18 mil habitantes pode receber em um ano cerca de 80 mil turistas.

Todos visitam o lugar pela mesma razão: é lindo, organizado, maravilhoso. As belezas naturais são tão perfeitas que parecem montagens de computador. E o que mais impressiona é o povo e a forma como se organizam.

Particularmente eu nunca imaginei que veria algo tão bem desenvolvido feito por um povo tão desconhecido. Puro preconceito de achar que a Europa do Brasil, o Sul, faria melhor. Bobagem.

Aqui em Florianópolis, por exemplo, erramos feio no atendimento dos turistas, nas informações, na estrutura, na forma como vendemos os atrativos que temos e no bom e velho comodismo que atribui ao governo a responsabilidade de dar condições para o turismo acontecer.

Responsabilidade ou não do governo, os bonitenses não esperaram governo ou prefeitura e fizeram fazendas particulares virarem centros receptivos de turistas com padrão de primeiro mundo. Tudo funciona. As agências de turismo são estruturadas e bem informadas para sugerir ao turista as melhores opções de passeio. Nada acontece sem a participação dessas agências que são comissionadas a cada visita.

As fazendas, que detém a propriedade da maioria dos atrativos, só aceitam turistas com voucher, fornecido pelas agências. Ou seja, o círculo de trabalho se fecha, de forma que todos ganham. Os preços são tabelados e eu diria que são bastante justos. O atendimento e o preparo dos guias são muito bons. Aliás, só pode ser guia quem é nativo ou morador a mais de 4 anos na região e que conheça a atividade ou o local que irá demonstrar. Os cursos de mergulho, as visitas às cavernas, são sempre acompanhadas de orientações de conservação do meio ambiente.

Com certeza existem algumas dificuldades. As estradas de acesso não são as melhores, a cidade não tem grandes opções de lazer em dias de chuva, mas não dá para não reconhecer quando vemos um trabalho bem feito. E esse é o caso de Bonito.

Atual

February 15th, 2008

Bem vindo ao meu novo site!